Preço da Construção por Metro Quadrado: Valores para 2026
A Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros (APROSE) divulgou os valores de referência do preço da construção da habitação por metro quadrado para 2026, calculados segundo a metodologia tradicionalmente utilizada pelo setor segurador português antes da disponibilização do simulador SCRIM.
Embora estes valores sejam frequentemente associados ao cálculo de capitais seguros em contratos de seguro habitação, a sua relevância vai além do setor segurador. A evolução dos custos de construção constitui igualmente um indicador útil para compreender algumas das tendências do mercado imobiliário, nomeadamente no que respeita aos custos de construção, reconstrução e valorização do património imobiliário.
Valores do preço da construção para 2026
Para 2026, os valores divulgados pela APROSE são os seguintes:
- Zona I: 945,67 €/m² (mais 20,72 €/m² do que em 2025)
- Zona II: 826,65 €/m² (mais 18,11 €/m² do que em 2025)
- Zona III: 748,94 €/m² (mais 16,41 €/m² do que em 2025)
Os valores representam aumentos em todas as zonas face aos montantes considerados para 2025.
Evolução histórica
Para consulta da evolução anual dos valores do preço da construção por metro quadrado, disponibilizamos gratuitamente a tabela histórica atualizada.
Porque continuam estes valores a ser utilizados?
Até 2014, o Governo publicava anualmente portarias que fixavam os valores de construção da habitação por metro quadrado para efeitos relacionados com a renda condicionada.
Com a revogação do enquadramento legal que suportava essa publicação anual, deixaram de existir novos valores oficiais com essa finalidade específica. Contudo, os montantes anteriormente estabelecidos continuaram a ser atualizados através dos coeficientes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), permitindo manter uma referência amplamente utilizada pelo setor segurador.
Atualmente, estes valores mantêm interesse prático como referência indicativa para estimativas de reconstrução e determinação de capitais seguros.
O que é o SCRIM?
Desde 2021, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) disponibiliza o SCRIM – Simulador de Custo de Reconstrução de Imóveis.
Este simulador permite uma estimativa mais detalhada do custo de reconstrução de um imóvel, considerando fatores específicos como características construtivas, tipologia, eficiência energética e outros elementos que podem influenciar o valor efetivo da reconstrução.
Por essa razão, o SCRIM é hoje uma ferramenta cada vez mais utilizada pelo setor segurador para determinar capitais seguros de forma mais ajustada à realidade de cada imóvel.
Porque interessam estes valores ao mercado imobiliário?
O custo de construção por metro quadrado constitui um dos indicadores que ajudam a compreender a evolução do mercado imobiliário.
Naturalmente, o valor de mercado de um imóvel não depende apenas do respetivo custo de construção. A localização, a procura, a oferta disponível, os acessos, o enquadramento urbanístico e as características específicas de cada imóvel continuam a desempenhar um papel determinante.
Ainda assim, a evolução dos custos de construção influencia decisões de promotores, investidores, proprietários e compradores, sendo um dos fatores que ajudam a explicar a dinâmica dos preços no setor imobiliário.
Para quem pretende construir, reconstruir ou realizar obras de maior dimensão, estes indicadores permitem acompanhar a evolução dos custos do setor.
Para investidores e compradores, constituem um elemento adicional para compreender o contexto económico da atividade imobiliária e a evolução da oferta futura de habitação.
Seguros de habitação e capital seguro
Os valores do preço da construção por metro quadrado continuam a ser particularmente relevantes na definição do capital seguro de muitos contratos de seguro multirriscos habitação.
Regra geral, o capital seguro de um edifício deverá corresponder ao respetivo custo de reconstrução, excluindo o valor do terreno onde o imóvel se encontra implantado.
Na determinação desse valor devem ser considerados todos os elementos relevantes da construção, incluindo, quando aplicável, a quota-parte das zonas comuns.
Um capital seguro corretamente ajustado reduz o risco de subseguro e contribui para uma proteção patrimonial mais adequada em caso de sinistro.
Atualização do capital seguro
A atualização do capital seguro continua a ser da responsabilidade do tomador do seguro.
Entre os mecanismos habitualmente utilizados encontram-se:
Atualização Convencionada
O capital seguro é atualizado automaticamente de acordo com a percentagem previamente definida pelo tomador do seguro.
Atualização Indexada
O capital seguro é atualizado automaticamente através dos índices publicados pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), nomeadamente:
- IE (Edifícios)
- IRH (Recheio)
- IRHE (Edifício e Recheio)
Zonas de referência
A classificação em Zona I, Zona II e Zona III corresponde ao sistema anteriormente utilizado na definição dos valores de construção da habitação.
A Zona I integra as capitais de distrito, diversos municípios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e os municípios das Regiões Autónomas.
A Zona II abrange um conjunto de municípios com características urbanas intermédias.
A Zona III inclui os restantes concelhos do território continental.
Nota metodológica
Nota: Os valores apresentados correspondem aos montantes divulgados pela APROSE para 2026, calculados segundo a metodologia tradicionalmente utilizada pelo setor segurador português antes da disponibilização do simulador SCRIM. Têm natureza indicativa e não substituem a avaliação específica das características de cada imóvel.
Fonte: APROSE – Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros.
