Mercado de venda perde fôlego, mas preços continuam a subir

07-08-2026

O Portuguese Housing Market Survey (RICS/Ci), divulgado no dia 5 de agosto de 2026, com dados relativos a junho de 2026, mostra um mercado de compra e venda a perder algum do ritmo dos meses anteriores. A procura por parte de novos compradores e as vendas acordadas abrandaram, e as expectativas de curto prazo tornaram-se globalmente neutras. Ainda assim, os preços continuam a subir — a um ritmo mais moderado, mas sem sinais de inversão.

A Casa Gold é uma das agências que contribui mensalmente para este inquérito, integrado no painel de empresas de promoção e mediação imobiliária que serve de base ao relatório, realizado em parceria entre a Ci – Confidencial Imobiliário e o RICS. É também por isso que acompanhamos estes números com particular atenção: não são apenas estatísticas que lemos, são também dados que ajudamos a construir.

Procura e vendas perdem força

O saldo líquido da procura por parte de novos compradores recuou para -11% em junho, depois de +6% em maio. As vendas acordadas seguiram a mesma tendência, descendo para -2% (+9% em maio). As expectativas para os próximos três meses acompanham este arrefecimento: o saldo líquido das expectativas de vendas passou para -7%, depois de +17% em maio, e o índice de confiança recuou para -3, face a +10 no mês anterior.

O inquérito distingue resultados por Lisboa, Porto e Algarve — as três regiões metropolitanas que compõem o painel. Vale a pena ser transparentes quanto a este ponto: a contribuição mensal da Casa Gold é agregada aos dados de Lisboa, já que o Oeste não constitui, por si só, uma categoria separada no relatório. Dito isto, a nossa experiência diária no terreno, longe dos grandes centros, é a de que estas tendências tendem a chegar aqui mais cedo — e com menos amortecimento — do que os números agregados de Lisboa por vezes sugerem.

Preços continuam a subir. Porquê?

Os preços mantiveram-se em terreno positivo, com um saldo líquido de +13% em junho, ainda que moderado face aos +18% de maio. Lisboa continua a registar a leitura mais forte (+21%), seguida do Porto (+8%), enquanto o Algarve se mantém em território negativo (-8%). As expectativas para os preços a três meses tornaram-se globalmente neutras, num saldo líquido de zero, depois de +3% em maio.

É uma pergunta legítima, e cada vez mais frequente: se a procura abranda, porque é que os preços não descem? Parte da resposta está noutro indicador do mesmo inquérito — o saldo líquido das novas instruções de venda, que se mantém em -21%, praticamente inalterado face aos -19% de maio. Há pouca oferta nova a entrar no mercado. Quando a oferta continua limitada, mesmo uma procura mais fraca não basta, por si só, para inverter a trajetória dos preços.

Há também outro fator, mais difícil de quantificar mas que reconhecemos na nossa experiência diária: nem todos os vendedores estão, de facto, apressados a vender. Alguns colocam o imóvel no mercado com um preço-alvo específico em mente e preferem esperar — mesmo que isso signifique mais tempo de exposição — a negociar abaixo desse valor. Isto também ajuda a explicar por que razão os preços resistem, mesmo quando a atividade global arrefece.

A 12 meses: otimismo mais contido

Numa perspetiva a 12 meses, um saldo líquido de 44% dos inquiridos continua a esperar subidas de preços — uma maioria clara, mas a leitura mais baixa desde meados de 2024, depois de ter recuado do pico de +62% registado em fevereiro. É um sinal de que o otimismo permanece, ainda que de forma mais contida.

Arrendamento: sinais mistos

No arrendamento, a procura por parte de inquilinos recuou para -1%, depois de +14% em maio, enquanto o saldo relativo às instruções dos senhorios melhorou para -3%, recuperando dos -16% do mês anterior. As rendas praticadas mantêm-se em terreno negativo (-10%), e as expectativas para os próximos três meses continuam contidas, em -20%.

O que isto significa para quem quer vender

No conjunto, o inquérito de junho não aponta para uma quebra acentuada, mas confirma uma tendência que já vínhamos a notar há vários meses no terreno, sobretudo fora dos grandes centros: o mercado está a normalizar-se, não a colapsar. Para quem está a pensar vender, este é um bom momento para perceber, com rigor, onde o seu imóvel se posiciona neste contexto — e não apenas onde gostaria que estivesse.

Se está a considerar vender e quer uma leitura honesta do que esperar, pode pedir-nos uma sugestão do preço de venda, sem compromisso.


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