Quase 40 anos depois, o problema mantém-se

14-05-2026

Em 1987, para conseguir ter uma vida independente, tive de sair de Lisboa.

Na altura, ambos trabalhávamos na cidade. Como não encontrávamos habitação acessível, mudámo-nos para uma freguesia na margem Sul, no concelho do Seixal.

A casa? Uma moradia sem aprovação camarária, sem água canalizada e com um acesso que, quando chovia, se tornava praticamente intransitável.

A água vinha de um poço.

Num dos anos de menor pluviosidade, tivemos mesmo de investir num furo.

Hoje, quando olho para trás, há um detalhe que me continua a impressionar:

Pagávamos uma renda que, atualizada à inflação, seria próxima dos 1.000 euros mensais.

E, para cumprir as nossas obrigações profissionais em Lisboa, saíamos de casa às 5:45 da manhã.

Entre ida e volta, passávamos pelo menos 3 horas por dia em deslocações.

Mantivemos esse ritmo durante quase 14 anos.

O motivo era simples:

Não havia habitação para arrendar — independentemente do valor da renda.

Quase 40 anos depois, o discurso mudou.

Mas o problema, em muitos aspetos, continua estranhamente familiar.

A escassez de oferta, a pressão sobre os preços e a dificuldade de acesso à habitação continuam a marcar a realidade de muitas famílias.

E talvez isso nos obrigue a uma pergunta desconfortável:

Porque é que, ao fim de várias décadas, continuamos a discutir essencialmente o mesmo problema?

👉 Para quem acompanha o mercado de perto — ou viveu realidades semelhantes — reconhece este padrão?


Escrito por Pedro Gabriel e publicado originalmente no LinkedIn

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