Talvez estejamos a fazer a pergunta errada
Tenho a sensação de que, por vezes, insistimos na pergunta errada quando falamos de habitação.
Perguntamos:
Como resolver rapidamente o problema?
Mas talvez a questão mais realista seja outra:
Como podemos atenuar um problema estrutural que não desaparecerá tão cedo?
Construção nova será parte da resposta.
Reabilitação também.
Melhor aproveitamento do edificado existente poderá ajudar.
Simplificação administrativa parece importante.
Um maior equilíbrio territorial talvez faça parte da equação.
Mas tenho alguma dificuldade em acreditar que exista uma solução única — ou rápida — para um problema que levou décadas a formar-se.
E talvez isso obrigue a uma mudança de expectativa.
Porque, no imobiliário, muitas vezes confundimos urgência com velocidade de execução.
A urgência existe.
Mas a velocidade real do setor raramente acompanha a dimensão do problema.
Talvez uma abordagem mais útil seja esta:
Em vez de procurar uma solução milagrosa, pensar em várias soluções imperfeitas — mas complementares.
Nem sempre a pergunta certa é:
Como resolvemos isto depressa?
Às vezes talvez seja:
Como começamos, realisticamente, a melhorar?
Escrito por Pedro Gabriel e publicado originalmente no LinkedIn
