Foi um dia como tantos outros

17-09-2026

Foi um dia como tantos outros, até ver os andaimes a chegar.

O prédio onde fica o meu escritório mantinha a pintura original desde que comecei aqui a minha própria história — uma pintura com provavelmente mais de 40 anos. Nessa manhã, ao ver os trabalhadores a descarregar material, fui perguntar o que se ia passar. Disseram-me que iam começar os preparativos para a pintura do edifício.

Fiquei realmente contente com essa mudança. Não só pela fachada em si, mas porque, falei com vários vizinhos ao longo do tempo, sei que há problemas de infiltrações que afetam várias casas — e que também se sentem no meu próprio espaço de trabalho.

Muitas vezes, quando vou fazer visitas a um imóvel, as perguntas que os compradores fazem são estas: se existem infiltrações, quando foi feita a última pintura do prédio, se o telhado foi também intervencionado nessa altura. Mas também já tive casos em que o prédio por fora estava bonito e arranjado, mas por dentro o cenário não era o mesmo — o que já causava algumas dúvidas aos compradores.

Uma pintura resolve o que se vê por fora, mas não resolve tudo. É muitas vezes o momento em que se tratam as causas mais visíveis das infiltrações — reparar antes de pintar, cuidar da impermeabilização exterior. Mas o interior do prédio importa tanto quanto a fachada: canalizações, humidades nas partes comuns, o estado das escadas e dos patamares. Um prédio bonito por fora, com problemas por dentro, continua a ser um prédio com problemas.

Vejo este novo capítulo como a altura ideal para o prédio escrever uma nova história, depois de mais de 40 anos com uma imagem antiga e desatualizada.

Esta mudança veio melhorar a qualidade de vida de quem lá vive e de quem lá trabalha — e, no caso de quem pondera vender ou arrendar, resolve antecipadamente um dos receios mais comuns de quem visita um imóvel: "isto vai dar-me problemas no futuro?"

Já lhe aconteceu visitar uma casa e sentir logo que havia ali uma questão por resolver, mesmo antes de a perguntar?


Escrito por João Gabriel e publicado originalmente no Facebook.

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